Mochilão entre jovens é impulsionado por preços em conta

fevereiro 13th, 2012 por admin 17 comments »

Antes de explorar a Europa e outros continentes, muitos jovens têm escolhido a América do Sul para fazer o seu primeiro mochilão.

O motivo é o preço. “É tudo muito barato. Passamos um mês viajando, ficamos nos melhores albergues, comemos muito bem e até esquiamos. Gastamos pouco mais de R$ 3.000 cada um”, conta Nando Takenobu, 21. Com duas amigas, ele foi do Peru à Argentina nas férias de julho.

Segundo Isabel Baptista, gerente da agência de viagens CI, a procura por roteiros na América Latina aumentou 50% desde o ano passado, especialmente entre os viajantes jovens.

Ela conta que, por isso, em maio a agência criou pacotes para países antes pouco procurados, como Peru e Bolívia (veja os principais destinos no quadro abaixo).

“Por causa do câmbio favorável, é a região mais econômica para se fazer uma viagem internacional hoje em dia.”

O continente também atrai os mochileiros independentes, que não usam agências de viagem. No seu maior ponto de encontro na internet, o fórum mochileiros.com, há 45 mil mensagens sobre a América do Sul (são 15 mil sobre a Europa).

Mas nem tudo é perfeito. Que o diga Diego Gutierrez, 21. Depois de cinco dias de trilha para chegar a Machu Picchu, começou a chover. Com várias regiões do Peru alagadas, ele e dois amigos ficaram ilhados e tiveram de ser resgatados pela FAB (Força Aérea Brasileira) para voltar ao Brasil.

Valeu a pena? “Bom, meus pais não gostariam que eu fizesse outro mochilão, acho.”

Editoria de Arte/Folhapress
Guia do mochileiro das nações
Editoria de Arte/Folhapress
Guia do mochileiro das nações
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E o resto do mundo?

Mochileiros fazem da internet uma grande aliada para planejar aventuras

novembro 28th, 2009 por admin 4 comments »

Para quem acha que fazer um mochilão é uma tarefa simples, que requer apenas o espírito aventureiro e a mochila nas costas, está enganado. Viajar de forma independente requer muita pesquisa e planejamento com bastante antecedência. É o que alerta Silnei Andrade, fundador e webmaster do Mochileiros.com.

“O pior de todos os erros de um mochileiro de primeira viagem é a falta de informação ou a preguiça de procurá-la. Se você viajar desinformado irá encarecer a viagem e pode acabar entrando em alguma roubada”, ressalva Andrade.

A internet traz uma infinidade de sites que podem ser usados pelos mochileiros, seja para buscar informações sobre os destinos (história, política, economia, zonas de risco de guerras ou epidemias), como para fazer reservas em hostels e comprar passagens.

O proprio Mochileiros.com surgiu justamente para ajudar os backpackers a partir do fórum do Portal Mochila Brasil em 1999. “A idéia do Mochila Brasil era desenvolver um jornalismo direcionado a estes público e mercado, trazer matérias sobre destinos, mas também informações sobre o Backpacker Tourism que é pouco divulgado do Brasil”, afirma.

O detalhe que chama atenção é que 100% do conteúdo do site é feito de forma colaborativa. Além do fórum, ele oferece ferramentas de álbum de fotos e perfil para adicionar amigos e receber ou enviar recados, ou seja, funciona como uma rede social para o público mochileiro. Já são mais de 80 mil usuários e 450 mil visitas únicas mensais no site.

Onde buscar informações

Andrade explica que além do próprio Mochileiro.com, outro grande aliado do viajante atualmente é o Twitter. “Depois que a ferramenta de listas ficou disponível, facilitou a vida dos usuários”, afirma.

O Twitter do Mochileiros.com traz listas interessantes com promoções de passagens aéreas, dicas de albergues, secretarias de turismo, editorias de turismo, portais de internet, guias impressos e jornais de todo mundo.

Outro endereço interessante a ser visitado na Web, destaca Andrade, é o Lonely Planet, especificamente a seção Community do site, que traz blogs de viajantes e o fórum Thorn Tree.

“Para aqueles que gostam de fazer trilhas e possuem GPS, há um ótimo banco de dados de tracklogs no GPSies.com. O Travel Pod é outro bom lugar pra pesquisar. É um servidor de blogs com viajantes do mundo todo”, aponta Andrade.

Mas, se quer conferir antes algumas fotos dos destinos, o Flickr dá uma mãozinha: use a busca do site para achar a cidade ou local pelo qual quer passar. O canal Viagem do UOL traz um grande número de informações.

Para fazer reservas em albergues ou hostels em 170 países, há o Albergues do Brasil, todo em português e o HostelWorld.

Entrevista dos 10 anos do Mochileiros.com no Estadão

outubro 20th, 2009 por admin 3 comments »

Confira a entrevista ao caderno Link do Estadão:

MOCHILEIROS.COM

blog_twd01Autointitulada a maior comunidade de viajantes independentes de língua portuguesa, o Mochileiros.com é o exemplo mais antigo, no Brasil, de site colaborativo de viagens. Silnei Andrade começou o fórum há dez anos – na época, o Mochileiros era um apêndice do portal Mochila Brasil, criado para custear uma viagem de dois anos pelo País. Hoje, tem mais de 70 mil cadastrados e recebe 350 mil visitantes únicos por mês. Apesar da popularidade, Ele reconhece que a ferramenta precisa de inovações. A tendência é que o Mochileiros se torne uma rede social – em breve os usuários poderão ter lista de amigos, álbum de fotos e blog. Algumas ferramentas terão mashup com o Google Maps.


Serão implantados um guia de albergues em que os usuários avaliarão a hospedagem, aos moldes do Hostels.com, e mais, para frente, serviços que já existem nos fóruns, como achar companhia para viajar e conseguir carona, ganharão ferramentas próprias. O Link conversou com Silnei sobre os dez anos do site.


Você acha que o Mochileiros mudou a maneira das pessoas viajarem?

Sem dúvida. Em 1999, a palavra mochileiro era considerada pejorativa. Uma proprietária de um albergue da juventude chegou a nos dizer que “mochileiro não se hospeda em albergue, dorme em banco de praça”. Ela deveria estar se referindo a hippies que vendem artesanato. O público do site não só acompanhou esse movimento como ajudou a mudar aquela visão distorcida e até provinciana de turismo. A pessoa viaja assim por estilo.


Nesses dez anos, o perfil dos usuários mudou?

Os primeiros usuários eram pessoas que já viajavam e que, por isso, se reuniram ali. Hoje há mais pessoas online e muitas chegam sem saber nada do destino que querem conhecer. Viagem independente precisa de planejamento e ele começa meses antes de se ir pra rua. Para esse público iniciante explicamos isso através de alguns tópicos com dicas básicas e também criamos fóruns para análise de roteiros. Você cria uma rota e a disponibiliza para todos opinarem.


Você acha que as informações do fórum substituem os guias tradicionais?

Eu acho que essa é uma tendência mundial, não só em relação aos guias de viagem. Quando se compra um guia impresso, você tem ali a opinião de um editor ou de um grupo pequeno. Na internet tem a opinião de todos. Os guias tradicionais já perceberam isso e estão migrando para a web – o Lonely Planet hoje vende arquivos em PDF mais atualizados do que as versões impressas.


O conhecimento colaborativo também tem os seus contras – por exemplo, uma informação errada. Como vocês fazem para evitar isso?

Criamos um grupo que chamamos de Conselho Editorial, como a Wikipedia. São pessoas que conhecem bem os destinos. Há também um sistema de avaliação: se alguém escreve algo importante e válido, recebe votos positivos. Se escreve algo que não corresponde com a realidade, os votos são negativos.


O excesso de informações não muda o conceito do mochilão, que é colocar a mochila nas costas e partir?

Por mais que você planeje, sempre terá coisas novas para conhecer. Há muita coisa acontecendo no mundo. Não se deve seguir tudo ao pé da letra, nem fazer um roteiro como um pacote de turismo. É legal pode mudar a rota no meio da viagem. (Tatiana de Mello Dias)