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Entrevista dos 10 anos do Mochileiros.com no Estadão

outubro 20th, 2009

Confira a entrevista ao caderno Link do Estadão:

MOCHILEIROS.COM

blog_twd01Autointitulada a maior comunidade de viajantes independentes de língua portuguesa, o Mochileiros.com é o exemplo mais antigo, no Brasil, de site colaborativo de viagens. Silnei Andrade começou o fórum há dez anos – na época, o Mochileiros era um apêndice do portal Mochila Brasil, criado para custear uma viagem de dois anos pelo País. Hoje, tem mais de 70 mil cadastrados e recebe 350 mil visitantes únicos por mês. Apesar da popularidade, Ele reconhece que a ferramenta precisa de inovações. A tendência é que o Mochileiros se torne uma rede social – em breve os usuários poderão ter lista de amigos, álbum de fotos e blog. Algumas ferramentas terão mashup com o Google Maps.


Serão implantados um guia de albergues em que os usuários avaliarão a hospedagem, aos moldes do Hostels.com, e mais, para frente, serviços que já existem nos fóruns, como achar companhia para viajar e conseguir carona, ganharão ferramentas próprias. O Link conversou com Silnei sobre os dez anos do site.


Você acha que o Mochileiros mudou a maneira das pessoas viajarem?

Sem dúvida. Em 1999, a palavra mochileiro era considerada pejorativa. Uma proprietária de um albergue da juventude chegou a nos dizer que “mochileiro não se hospeda em albergue, dorme em banco de praça”. Ela deveria estar se referindo a hippies que vendem artesanato. O público do site não só acompanhou esse movimento como ajudou a mudar aquela visão distorcida e até provinciana de turismo. A pessoa viaja assim por estilo.


Nesses dez anos, o perfil dos usuários mudou?

Os primeiros usuários eram pessoas que já viajavam e que, por isso, se reuniram ali. Hoje há mais pessoas online e muitas chegam sem saber nada do destino que querem conhecer. Viagem independente precisa de planejamento e ele começa meses antes de se ir pra rua. Para esse público iniciante explicamos isso através de alguns tópicos com dicas básicas e também criamos fóruns para análise de roteiros. Você cria uma rota e a disponibiliza para todos opinarem.


Você acha que as informações do fórum substituem os guias tradicionais?

Eu acho que essa é uma tendência mundial, não só em relação aos guias de viagem. Quando se compra um guia impresso, você tem ali a opinião de um editor ou de um grupo pequeno. Na internet tem a opinião de todos. Os guias tradicionais já perceberam isso e estão migrando para a web – o Lonely Planet hoje vende arquivos em PDF mais atualizados do que as versões impressas.


O conhecimento colaborativo também tem os seus contras – por exemplo, uma informação errada. Como vocês fazem para evitar isso?

Criamos um grupo que chamamos de Conselho Editorial, como a Wikipedia. São pessoas que conhecem bem os destinos. Há também um sistema de avaliação: se alguém escreve algo importante e válido, recebe votos positivos. Se escreve algo que não corresponde com a realidade, os votos são negativos.


O excesso de informações não muda o conceito do mochilão, que é colocar a mochila nas costas e partir?

Por mais que você planeje, sempre terá coisas novas para conhecer. Há muita coisa acontecendo no mundo. Não se deve seguir tudo ao pé da letra, nem fazer um roteiro como um pacote de turismo. É legal pode mudar a rota no meio da viagem. (Tatiana de Mello Dias)